O nobre cavalheiro arrastava suas asas
para a moça que lavava roupa na mão.
Mirava-a no rio, de cócoras, ganhando seu pão.
Decidiu se aproximar, com o peito em brasa...
E recebeu um não.
Mas como pode, com tanto garbo, uma resposta rasa?
É que a moça já tinha um dono para seu coração,
e o nobre cavalheiro torna-se um bufão.
Não admite, bate o pé, respira fundo e amassa
a flor que tinha na mão.
"Posso dar-te o mundo e no entanto arrasas
o que me é mais caro - meu coração.
Venha comigo que te apresento a minha mansão."
E a moça responde, meio sem graça:
"Posso não."
"É que eu amo", disse enquanto olhava para as casas
muito humildes, se comparadas ao casarão.
"E não quero macular esse amor, quero não."
E então, meio que por raiva, veio a desgraça,
desejada do fundo de um coração:
"Que morram todos! Essa raça
de gente simples, cheia de boa intenção,
povo que quando quer, pode e é turrão."
E veio a praga, nascida da pirraça,
veio a seca no sertão.
Deborah O'Lins de Barros
Rio, 06/03/2012
terça-feira, 6 de março de 2012
romanceiro?
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poesia
2
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
15 anos de sociedade epicuréia
Versos livres
Sim, pequei, perdão.
Não consegui, não me adaptei
A essas formas racionais
A essas formas árcades
À razão.
Tenho a suave impressão
De que não passo de mais uma.
Mais uma amada-morte de Poe Poe,
Virgem perdida de Álvares de Azevedo,
Viuvinha de Alencar, Moreninha de Macedo.
Definitivamente, pertenço àquela 2a. geração.
Pequei, Senhor, mas não por que quisesse ter pecado
[O que você faz aqui, Gregório? Está no estilo errado]
Sei que meu inconsciente tem estado danificado
E minha vida vem sendo uma eterna "esparsa ao desconcerto do mundo".
Byron, Byron... seu amor pela Grécia
Deve ser por causa das deusas, sempre inalcançáveis.
E quando me deparo com minhas culpas,
Aparentemente inafiançáveis,
Meu coração se volta para aquela outra península.
E meus versos livres,
Meus versos brancos
Mostram claramente quem é o eu-lírico: eu.
Eu estou livre e tudo está passando em branco,
Junto com esses versos tristes, porém brandos.
Rio, 20/08/2003
Sim, pequei, perdão.
Não consegui, não me adaptei
A essas formas racionais
A essas formas árcades
À razão.
Tenho a suave impressão
De que não passo de mais uma.
Mais uma amada-morte de Poe Poe,
Virgem perdida de Álvares de Azevedo,
Viuvinha de Alencar, Moreninha de Macedo.
Definitivamente, pertenço àquela 2a. geração.
Pequei, Senhor, mas não por que quisesse ter pecado
[O que você faz aqui, Gregório? Está no estilo errado]
Sei que meu inconsciente tem estado danificado
E minha vida vem sendo uma eterna "esparsa ao desconcerto do mundo".
Byron, Byron... seu amor pela Grécia
Deve ser por causa das deusas, sempre inalcançáveis.
E quando me deparo com minhas culpas,
Aparentemente inafiançáveis,
Meu coração se volta para aquela outra península.
E meus versos livres,
Meus versos brancos
Mostram claramente quem é o eu-lírico: eu.
Eu estou livre e tudo está passando em branco,
Junto com esses versos tristes, porém brandos.
Rio, 20/08/2003
Fuga em ré menor
Não há como correr contra o tempo,
Não tenho uma máquina do tempo,
Mas o tempo todo eu tento, tento
Me livrar desse sofrimento... lento.
Fujo para a floresta
(Pois todos têm seu "momento Zaratustra")
Mas mesmo aqui seu nome me persegue
Não faça isso, Sade! Ao menos isso! Custa?
O simbólico Corvo não pousou em um busto,
Mas no inconsciente. Mais precisamente em meu ombro.
E depois que voltei a mim, melhorando do susto,
Senti que ele pairava era em minha mente: assombro!
E por mais que eu tente
Lutar contra o presente, o eterno e o ausente,
Há a frase... é ela, é ela, é ela, é ela
Que deixa essa anti-donzela descontente.
Não posso fugir de mim, não posso, jamais.
E quando, em meu jazigo, eu já não houver mais
Haverá em meu túmulo a frase: Aqui jaz
Alguém que lutou contra o Nunca Mais.
Rio, 10/05/2004
Deborah O'Lins de Barros
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
90 anos. mais moderna que nós.
feliz
aniversário de 90 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo
para você!
rime terno com chinelo,
poemas e tomates,
o riso e o colorido.
antropofagie tudo isso
e tenha uma boa vida
com arte.
:-)
Deborah O'Lins de Barros
(com Oswald e Tarsila nos olhos)
Rio de Janeiro, 13/02/2012
aniversário de 90 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo
para você!
rime terno com chinelo,
poemas e tomates,o riso e o colorido.
antropofagie tudo isso
e tenha uma boa vida
com arte.
:-)
Deborah O'Lins de Barros
(com Oswald e Tarsila nos olhos)
Rio de Janeiro, 13/02/2012
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Tarsila do Amaral, Nossa Senhora da Arte Moderna, olhai por nós!
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sobre a saudade
A gramática chama de saudade
a lembrança triste e suave do extinto;
o pesar pela ausência de quem nos é querido;
e também a nostalgia que sentimos.
Mas tudo isso é mentira
ou apenas um significado simplório:
Saudade é o que a gente sente
quando encontra, já adulto, por acaso,
um amigo de infância,
que a gente nunca mais viu,
senta num bar
e fica lembrando do Primário...
Deborah Lins de Barros
09/04/2007
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domingo, 22 de janeiro de 2012
da série "hai cais desorientados"
"DR"
às vezes
fizeste
fezes.
às vezes
fizeste
fezes.
Rio, 10/01/2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
poema crocante
torrei as torradas.
redundância, aliteração
e amnésia.
redundância, aliteração
e amnésia.
Rio, 24/12/2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
jazigo 12A
Não sou uma princesa,
elas não valem meio poema.
Porém, nem meio poema dedicaram a mim.
Fundei, sozinha,
a minha própria sociedade epicuréia.
Sou uma poetisa, viva,
à espera de poetas mortos.
Não tenho sido exigente,
quero apenas alguém que me ame docemente.
Não quero que me salvem,
ou que me levem para um palácio... até porque...
todos os meus heróis foram vencidos pelo tempo.
E todos os meus poetas
são esguios e desarmados.
elas não valem meio poema.
Porém, nem meio poema dedicaram a mim.
Fundei, sozinha,
a minha própria sociedade epicuréia.
Sou uma poetisa, viva,
à espera de poetas mortos.
Não tenho sido exigente,
quero apenas alguém que me ame docemente.
Não quero que me salvem,
ou que me levem para um palácio... até porque...
todos os meus heróis foram vencidos pelo tempo.
E todos os meus poetas
são esguios e desarmados.
dedicado ao meu poeta-morto favorito
(Rio de Janeiro, 22/02/2005)
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domingo, 4 de dezembro de 2011
5 sem tidos (mais fragmentos)
otorrinolaringologia
(ouça)
o cheiro
úmido da madrugada
dos temperos que estão na sua comida
da saliva que desce pela garganta
(respire)
os sabores
que escorrem pelos ouvidos
da onda que o mar traz para a praia
do contato metafísico
(deguste)
o som
do virar mais uma página
do aroma fixado na memória
da tinta que ainda é só isso e mais nada
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bobagens divertidas,
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
vende-se casa com tudo dentro
Bairro privilegiado. Preço abaixo do mercado. Mobília e decoração incluída. Casa ampla e confortável, cômodos secos com chão forrado de tábua corrida; cozinha e banheiro cobertos de azulejos grandes e pequenos, respectivamente. Quadros estampados com réplicas de obras de arte. Jardim verde e salpicado de pontos floridos; velha árvore com balanço e escada de corda, que dá para uma casa na árvore, com construção que foi deixada pela metade.
Na residência morou uma família quase completa e quase feliz, composta de filhos, pais e pais dos pais. A casa guarda em si momentos vários, lágrimas de alegria e de tristeza, sustos, gargalhadas, notícias diversas, lembranças de brinquedos e brincadeiras; espectros de ouvidos atentos ao rádio, olhares atentos à televisão, mãos atentas ao ponto-cruz.
Jaz na casa, ainda, a distante memória, que se tornou em esperança e lenda de um desconhecido tesouro, que talvez só seja descoberto em caso de demolição total. Vende-se casa com tudo dentro. Motivo: diversos.
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