.
ninguém notou que havia
algo de podre no reino da mais-valia.
como seria possível?
(pra mim isso tem o dedo da CIA)
mas havia algo de podre
no reino da mais-valia.
ops! ninguém notou... e o avião caiu!
disseram para o presidente branco:
"ca-bum"
burro, ele entendeu:
"cabul"
e assim começou a guerra.
ai, que azia...
.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
11 de setembro
menu interativo
poesia
3
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
receitas apetitosas do jornal Paperback Writer News
Sanduíche aberto de artes plásticas
Ingredientes
Bisnaga tipo Picasso
Manteiga tipo renascentista
Molho romântico (marca “Morte de Marat”)
Rodelas cubistas
Lascas de impressionismo
Surrealismo a gosto
Modo de montar o sanduíche
Corte no sentido horizontal uma bisnaga tipo Picasso e passe uma leve camada de manteiga renascentista dos dois lados. Corte rodelas cubistas bem finas e espalhe por todo o pão. Em seguida espalhe o molho romântico, deixando uma camada de aproximadamente 0,5cm. Delicadamente, coloque por cima as lascas de impressionismo, de preferência raladas. Para dar um charme, polvilhe um pouco de surrealismo e sirva.
Dica
O sanduíche pode tanto ser fechado e cortado em fatias diagonais quanto ser consumido aberto, cortado como uma pizza à francesa ou um canapé.
Receita cedida por Madame Marie Stampf-Heinderberg da Bélgica, colaboradora do jornal Paperback Writer News.
Ingredientes
Bisnaga tipo Picasso
Manteiga tipo renascentista
Molho romântico (marca “Morte de Marat”)
Rodelas cubistas
Lascas de impressionismo
Surrealismo a gosto
Modo de montar o sanduíche
Corte no sentido horizontal uma bisnaga tipo Picasso e passe uma leve camada de manteiga renascentista dos dois lados. Corte rodelas cubistas bem finas e espalhe por todo o pão. Em seguida espalhe o molho romântico, deixando uma camada de aproximadamente 0,5cm. Delicadamente, coloque por cima as lascas de impressionismo, de preferência raladas. Para dar um charme, polvilhe um pouco de surrealismo e sirva.
Dica
O sanduíche pode tanto ser fechado e cortado em fatias diagonais quanto ser consumido aberto, cortado como uma pizza à francesa ou um canapé.
Receita cedida por Madame Marie Stampf-Heinderberg da Bélgica, colaboradora do jornal Paperback Writer News.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
aspones da literatura?
Recebi um email bastante interessante de meu amigo Enzo. O tema é a produção literária atual. Foi irresistível, tive de responder e achei bacana postar aqui também. Então, lá vai. Os comentários estão abertos à discussão.
.
carimbo
Há algum tempo tenho percebido um discurso implícito na internet. Começou no blog do Rodrigo García Lopes (1), e agora recebo essa revista on line chamada Sibila (2) que parece um almanaque de reclamações sobre literatura. Resumindo: está todo mundo muito insatisfeito com a poesia que está sendo feita atualmente no Brasil. “Poesia de bosta”, “poesia para boi dormir”, “poesia de passagem”, as expressões são inúmeras. Esse discurso também demoniza o “hoje qualquer um pode ter um blog e dizer que é poeta”; enfim, sentiram a fonte né? Falta carimbo para eles.
Eu estou sossegado porque muito do que conheço de gente viva escrevendo me agrada. E poetas de blog sim, desses que não se acham facilmente nas livrarias. Aliás, se forem olhar para as livrarias... E graças a Deus a maioria dessas pessoas não são como Hilda Hilst que ficava gritando para os cachorros: “eu sou maravilhosa! eu quero ser reconhecida! ninguém nunca fez na literatura algo como o que EU fiz!”.
Isso me parece tão estúpido quanto um avesso, como aquelas pessoas que dizem ser o Hino Nacional Brasileiro o mais belo do mundo sem conhecer os outros. Ta aí a palavra mágica: conhecer. E não reconhecer. Olha, hoje eu não estou com paciência, mas um dia eu vou fazer uma lista de mil nomes da literatura que não foram reconhecidos em vida, e que com certeza deixaram a cena literária uma “bosta”, “para boi dormir”, “de passagem”.
Tenho dito.
Att
Enzo Potel
* (1) “Um abraço para você, Leminski, esteja aonde estiver. Você faz uma falta danada nestes tempos de caretice e poesia chata para caralho.” Domingo, Junho 07, 2009 http://www.estudiorealidade.blogspot.com/
(2) http://www.sibila.com.br/index.php/home
(2) http://www.sibila.com.br/index.php/home
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
.
carimbador maluco
É aquela coisa né, Enzo... as pessoas gostam de frases impactantes, neologismos em rimas escalafobéticas e um nome de respeito assinando tudo.
.
Na Idade Moderna houve um cara que resoveu dar nome aos bois: e daí surgiu o período que hoje entendemos por Pré-História, Idade Antiga, Idade Média... Será que a geração 45 sabia que ia receber esse nome? e o pessoal que viveu em 1968, sabia de antemão que esse foi o "ano que não terminou"?
.
Não coloquemos a carroça na frente dos bois! A nossa geração é nova ainda, nossa literatura ainda está fresca, não consolidada. Então é estupidamente errôneo que fiquemos reclamando, chamando tudo de idiota. Sim, eu concordo que muitas das coisas são feitas para serem vendidas, mas meu blog e o de muitos outros escritores não possui textos marketeiros.
.
O nosso problema é que queremos criar algo totalmente novo. Não dá para resolver assim, sem mais nem menos. O novo aparece, simplesmente. E aí, como o "novo" ainda não apareceu (ou não foi "reconhecido"), ficamos saudosos de gerações que não pertencemos. É claro que eu adoraria ter vivido entre Oswald e Mário de Andrade. É claro que eu gostaria de ter sido a Pagu. Mas não vivi, não sou. Sou a Deborah. e minha poesia é digna e invendável (no sentido best seller da coisa).
.
Não queiram ser quem não são! Não queiram ressussitar os poetas-mortos!! Paciência! Sabedoria! E o mais importante de tudo: LEIAM E ESTIMULEM O PRÓXIMO A LER TAMBÉM!!!! Senão seremos lembrados como a GERAÇÃO QUE NÃO FEZ PORRA NENHUMA A NÃO SER RECLAMAR DE BARRIGA CHEIA.
Tenho dito.
Carpe diem,
Deborah O'Lins de Barros
menu interativo
crítica,
outrem
3
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
um conto curto para uma tarde ensolarada
.
o pedido
Avisou para a família que quando morresse, gostaria de duas coisas: doar os órgãos e quem ninguém usasse preto no velório. Pouco tempo depois, morreu. O acidente de carro foi tão horrível que nenhum órgão pôde ser aproveitado. Amigos e familiares resolveram homenageá-lo indo ao enterro usando, cada um, uma cor diferente. A viúva, não sabendo qual escolher, resolveu ir de branco. E nem lembrou que sua camisa carregava todas as cores do arco-íris.
Avisou para a família que quando morresse, gostaria de duas coisas: doar os órgãos e quem ninguém usasse preto no velório. Pouco tempo depois, morreu. O acidente de carro foi tão horrível que nenhum órgão pôde ser aproveitado. Amigos e familiares resolveram homenageá-lo indo ao enterro usando, cada um, uma cor diferente. A viúva, não sabendo qual escolher, resolveu ir de branco. E nem lembrou que sua camisa carregava todas as cores do arco-íris.
.
menu interativo
conto
4
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
quarta-feira, 22 de julho de 2009
dois contos curtos para uma tarde cinza
.
liaCom medo de lembrar, ela lia. Viajava por histórias diferentes das suas. Até que um dia, a desatenção a fez cochilar. Dormindo, sonhou com sua própria história. Acordou arrependida, mas não quis ir a um padre se confessar só para não ter que lembrar tudo de novo. E voltou para sua eterna leitura.
.
.
sinaisPrimeiro foi a barriga. Apareceu de repente, quase que da noite para o dia. Alguns dias depois, o homem notou que estava calvo. Achou estranho. O fim da picada foi quando o filho riu de sua cara quando foi procurar informação em sua Barsa de 15 volumes. Não agüentou mais. Foi até o banheiro, lavou o rosto e quando deparou com sua cara no espelho, descobriu: “puta-que-pariu, envelheci!”
.
liaCom medo de lembrar, ela lia. Viajava por histórias diferentes das suas. Até que um dia, a desatenção a fez cochilar. Dormindo, sonhou com sua própria história. Acordou arrependida, mas não quis ir a um padre se confessar só para não ter que lembrar tudo de novo. E voltou para sua eterna leitura.
.
.
sinaisPrimeiro foi a barriga. Apareceu de repente, quase que da noite para o dia. Alguns dias depois, o homem notou que estava calvo. Achou estranho. O fim da picada foi quando o filho riu de sua cara quando foi procurar informação em sua Barsa de 15 volumes. Não agüentou mais. Foi até o banheiro, lavou o rosto e quando deparou com sua cara no espelho, descobriu: “puta-que-pariu, envelheci!”
.
(escrevi esses minicontos durante a leitura de "Contos de Amor Rasgados", de Marina Colasanti)
.
e como quem conta um conto aumenta um ponto, leia também a repercussão de Lia, que ganhou um amiguinho e uma ilustração bonita no blog do meu amigo Cleto de Assis, o Banco da Poesia.
menu interativo
conto
6
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
sexta-feira, 10 de julho de 2009
carta a humanidade que virá
revisto e aumentado em 10/07/2009
modéstia à parte, um clássico!! (já foi publicado no Caderno Literário CLAP, no site www.palavrastodaspalavras.wordpress.com , no www.duplipensar.net , no meu antigo blog...)
.
modéstia à parte, um clássico!! (já foi publicado no Caderno Literário CLAP, no site www.palavrastodaspalavras.wordpress.com , no www.duplipensar.net , no meu antigo blog...)
.
Meu nome é Deborah. Embora de família cristã, eu e minhas irmãs (Rachel e Sarah) fomos batizadas com nomes judaicos, por opção de nossos pais. Antes de começar o relato propriamente dito, gostaria de deixar uma colocação às gerações vindouras (outros relatos de meus contemporâneos podem confirmar): viver na época em que vivo é muito chato. A minha história é a microhistória da minha geração, minhas raízes nasceram, foram arrancadas, replantadas, arrancadas novamente e assim por diante.
.
Eu realmente espero que alguém leia isso em algum futuro, por que não me deparei, até agora, com nenhuma admoestação das gerações passadas, que tanto invejo. Todas as guerras, guerrilhas e conflitos do século XX, foram o estopim para a desestruturação política, social e moral desse novo século XXI. A cada dia eu fico com mais medo de presenciar o "admirável mundo novo", previsto pelo escritor Aldous Huxley.
.
Bem, vamos por partes, vou tentar deixar vocês a par das coisas que acontecem nessa era pós-moderna de intolerância. Há uma metáfora que diz que se alguns jornais forem espremidos, escorrerá sangue por eles. Acreditem. Se eu juntar numa folha as centenas de acontecimentos que ocorreram a partir do ano em que nasci, 1983, e apertá-la, uma poça de sangue venoso se formará junto a meus pés. Mesmo assim, tenho orgulho de ter assistido ao vivo, embora pela literalmente globalizada tevê, à queda do Muro de Berlim, quando eu tinha seis anos; e o que me despertou para a política, os atentados de 11 de setembro de 2001, no Wolrd Trade Center.
.
A parte boa é que minha geração teve o privilégio de acompanhar desenhos animados educativos, como Muppet Babies, meu predileto. Assistimos ao primeiro filme totalmente feito por computador, "Toy Story", no cinema. Vimos a internet virar o que virou, vimos pela tevê Nelson Mandela saindo da prisão, dando tchauzinho e pondo fim no apartheid. Vimos os Estados Unidos elegendo seu primeiro presidente negro. E claro, vimos Michael Jackson.
.
Sabe o que me deixa mais irritada nesses "tempos modernos"? Parece que não aprendemos nada. Não aprendemos nada com os "erros" do passado, não aprendemos nada na escola. E o pior, ou o irônico, é que as pessoas que menos sabem, parecem ser as mais felizes, pois não se preocupam. Como afirmou um personagem do filme que marcou época, Matrix, "a ignorância é maravilhosa". Porém, certa vez eu escrevi numa caixa, quando me mudei do Rio de Janeiro para Santa Catarina: "se a ignorância é uma bênção, eu amo ser desgraçada". E quem opta pela busca do conhecimento se torna um desgraçado mesmo; somos angustiados, poucos, espelhados, impotentes. A grande massa que nos apoiaria numa revolução não pode perder o capítulo inédito da novela.
.
Não sou de esquerda. Nem de direita. Me considero apenas uma sonhadora. Outra coisa interessante na minha geração é que somos um bando de indecisos. Não somos (mesmo que às vezes proclamemos) 100% nada. Combinamos camisa do Che Guevara com tênis All Star, somos católicos e acreditamos em reencarnação, praticamos esportes e nos drogamos regularmente, somos mestiços, bissexuais e musicalmente ecléticos. Falando em música, a nossa arte num geral está capenga. Na verdade, qualquer coisa ("coisa" mesmo) que for feita poralgum famoso ou descendente (o sucesso não é mais mérito, ele é hereditário) e for bem divulgado, terá um bom retorno. Parece que estamos levando a sério aquela piadinha do Andy Warhol de fazer a "arte do comum". E o pior, vende que nem água e custa os olhos da cara.
.Não sou de esquerda. Nem de direita. Me considero apenas uma sonhadora. Outra coisa interessante na minha geração é que somos um bando de indecisos. Não somos (mesmo que às vezes proclamemos) 100% nada. Combinamos camisa do Che Guevara com tênis All Star, somos católicos e acreditamos em reencarnação, praticamos esportes e nos drogamos regularmente, somos mestiços, bissexuais e musicalmente ecléticos. Falando em música, a nossa arte num geral está capenga. Na verdade, qualquer coisa ("coisa" mesmo) que for feita poralgum famoso ou descendente (o sucesso não é mais mérito, ele é hereditário) e for bem divulgado, terá um bom retorno. Parece que estamos levando a sério aquela piadinha do Andy Warhol de fazer a "arte do comum". E o pior, vende que nem água e custa os olhos da cara.
É isso. Eu, daqui do passado, espero ter cooperado em alguma coisa para o futuro, isso é, se ele houver, se não acabarem com o mundo antes. Espero que vocês, de fora do paradigma da minha geração, aprendam o que eu nunca aprenderei. Quanto a mim, vou continuar imaginando como seria bom se eu tivesse vivido na época, ou tivesse sido o Álvares de Azevedo, o Edgar Allan Poe, a Georges Sand, o Oscar Wilde...
.
Deborah Oliveira Lins de Barros
menu interativo
carta,
crônica
3
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
terça-feira, 30 de junho de 2009
rest in peace, little Michael
Sou mais uma órfã de Michael Jackson. Desde pequena o adorava. Sua voz, sua dança, seu sorriso infantil. E sem saber, eu o amava como ser humano também. Já comprei muita briga para defender seu nome. Talvez nunca saiba a verdade sobre o homem por trás do ídolo, mas sempre preferi acreditar nos olhos de Michael.
Mas agora chega. Já o sugamos demais em vida. Que Michael Jackson, livre da carcaça de Rei do Pop possa, finalmente, descansar em paz.
libertou-se o menino
por Clóvis H. Lindner
Livre. Finalmente o pequeno menino negro aprisionado no corpo do astro pop deformando e ensandecido pode voar para a sua Nerverlândia imaginária, agora real. O pequeno prodígio havia sido aprisionado naquele corpo por causa do seu talento.
Meio século de insuportável. O ícone da pós-modernidade, rei do pop, o insuperável, inimitável e inatingível astro sufocou na angústia do seu pequeno ser, ainda tão inocente, tão bonito, tão angelical quanto antes.
Michael foi vitimado pela sua própria perfeição e morreu de fadiga; na insana tentativa de superar o insuperável, ou seja: ele mesmo. O pequeno príncipe havia sido engolido pelo próprio astro em que vivia.
Agora, está finalmente livre o menino. O que o mundo vela em Los Angeles é a fétida carcaça zumbi do rei do pop; do ídolo amalgamado pelas deformidades insanas da humanidade consumista. O menino não está mais lá. Jaz um corpo disforme, alvejado e plastificado pelo insaciável monstro capitalista, ele memo, um zumbi que se nega a morrer. O que enterramos não tem mais uma única gota de sangue, de vida, de dignidade. Tudo, absolutamente, tudo, foi avidamente sugado de seu interior.
O menino Michael se foi, para fazer a alegria dos celestes corais de anjos infantes. Agora, além de cantar glórias a Deus, eles dançam sobre as nuvens nos passos domoonwalker. E se riem da tragédia que foi esse meio século daquele menino negro, agora entre eles. Riem-se também dos milhões que continuam brincando com o zumbi morto e dele ainda irão recolher incontáveis sacolas de dólares que continuarão jorrando como rios, do seu interior. Elvis não morreu. Michael também não morrerá. O astro-monstro sabe disso.
O que se foi é o menino. Livre ! Liberto para viver num lugar digno na memória das gerações. Como no " Retrato de Dorian Gray", ao lado do quadro de um lindo menino negro de cabelo blackpower, jaz agora o decrépito corpo de um astro pop, deformado e envelhecido. Podem colocá-lo no formol, porque o menino não está mais nele.
Vai em paz, Michael ! Finalmente está livre.
.
menu interativo
outrem
4
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
terça-feira, 23 de junho de 2009
conversa com um E.T.
.
Um homem vê um E.T. numa exposição de arte. Pára ao lado dele e puxa assunto.
- Legal esse desenho, né?
O E.T. olha para ele e diz:
- O que é desenho?
O homem, compreendendo que o ser de outro planeta poderia estar estudando a vida na Terra, didaticamente aponta para o quadro e fala:
- “Desenho”
O E.T., muito curioso, continua:
- E o que está desenhado?
- Um carro.
- O que é um carro?
- Carro é um meio de locomoção terrestre.
O E.T. coça a cabeça.
- Não entendi.
O homem tenta explicar.
- É como se fosse uma caixa com rodas, nós entramos, ligamos o motor e o carro anda.
- Peraí, vamos por partes por que fiquei confuso.
- Ok, o que você não entendeu?
- O que é caixa?
E o homem pacientemente responde:
- É onde colocamos algo dentro, no caso, nós.
- E o que é roda?
O homem aponta no desenho e diz:
- Isso é uma roda.
- E o que é motor?
- É a coisa que faz o carro andar.
- O que é coisa?
- Coisa é qualquer objeto.
- E o que é objeto?
- Ah... sei lá... objeto é qualquer coisa...
O E.T. coça a cabeça.
- Não entendi.
O homem se estressa.
- Ah, então vai à merda, seu E.T. dos infernos!
E sai dali. O E.T. coça novamente a cabeça e pensa sozinho: “o que é merda?"
.
Um homem vê um E.T. numa exposição de arte. Pára ao lado dele e puxa assunto.
- Legal esse desenho, né?
O E.T. olha para ele e diz:
- O que é desenho?
O homem, compreendendo que o ser de outro planeta poderia estar estudando a vida na Terra, didaticamente aponta para o quadro e fala:
- “Desenho”
O E.T., muito curioso, continua:
- E o que está desenhado?
- Um carro.
- O que é um carro?
- Carro é um meio de locomoção terrestre.
O E.T. coça a cabeça.
- Não entendi.
O homem tenta explicar.
- É como se fosse uma caixa com rodas, nós entramos, ligamos o motor e o carro anda.
- Peraí, vamos por partes por que fiquei confuso.
- Ok, o que você não entendeu?
- O que é caixa?
E o homem pacientemente responde:
- É onde colocamos algo dentro, no caso, nós.
- E o que é roda?
O homem aponta no desenho e diz:
- Isso é uma roda.
- E o que é motor?
- É a coisa que faz o carro andar.
- O que é coisa?
- Coisa é qualquer objeto.
- E o que é objeto?
- Ah... sei lá... objeto é qualquer coisa...
O E.T. coça a cabeça.
- Não entendi.
O homem se estressa.
- Ah, então vai à merda, seu E.T. dos infernos!
E sai dali. O E.T. coça novamente a cabeça e pensa sozinho: “o que é merda?"
.
menu interativo
conto
2
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
sexta-feira, 19 de junho de 2009
poesia autobiográfica [5]
auto-análise do dia: eu e o rio de janeiro
.
.
Permeando o Campo de Santana
Procurei, em vão,
Encontrar os morros de que Machado falou.
Arrependida por ter optado pelo trabalho,
Tentei, então,
Achar no céu a pipa que Machado avistou.
À toa. Só vi prédios altos.
E, no chão, trânsito de carros.
.
.
Versos rodriguianos
.
Se eu sou a Alaíde
E serei atropelada por um bonde,
Que ele se chame Desejo.
Mas, infelizmente,
Perto do Relógio da Glória já não passam mais bondes.
Apenas em Santa Teresa,
Onde moram, felizes,
Jorge e Carolina,
Carlota e primo de D...
Opto, então, por morrer na boemia,
Beijando o asfalto...
Sempre precisei da ajuda de estranhos...
.
.
Cidade Maravilhosa
.
Av. Presidente Vargas
Sábado é o dia
De andar em zigue-zague
Nas ruas principais.
Porém nas capitais
Todo dia é dia
E o dia todo se anda em zigue-zague.
Na capital de onde vim
Há uma avenida de quatro ruas,
Imagine atravessá-la ao meio-dia...
.
Empurra-empurra
Não sei se é no sul ou só aqui,
Mas na cidade de onde vim
Se há pressa, há empurra-empurra.
Na rua da Alfândega, onde tem o Saara,
É impossível passear vendo as lojas,
A rua é tão estreita quanto a ex-chique Ouvidor.
As ruas de calçada larga
Também são estreitas para os quatro milhões
Residentes na cidade maravilhosa.
E é com uma rua larga
Que eu, teimosa,
Tenho um assunto pendente:
Um dia, ao meio-dia,
Vou atravessar a Pres. Vargas, inteirinha,
E de uma vez só.
.
Ô cidadezinha... Deus sabe o quanto eu sinto a falta das suas ruas sujas, seus prédios históricos abandonados, seu trânsito caótico... mas tudo isso é compensado quando eu entro no Museu Nacional de Belas-Artes, vou até o segundo andar e, depois daquela quebradinha para a direita, me deparo com o meu quadro predileto: "Arrufos". O Theatro Municipal faz aniversário junto comigo, toda primeira sexta-feira do mês tem a maratona e filmes no Cine Odeon... Se eu pudesse trazer uma parte do Rio para Santa Catarina, sem pestanejar traria a Cinelândia. E se desse, na rebarba traria o Grajaú, Santa Teresa, o CCBB, a praia do Arpoador e da Urca (praia Vermelha) também. O resto eu deixo lá. :-)
.
Conto de escola.
.
Permeando o Campo de Santana
Procurei, em vão,
Encontrar os morros de que Machado falou.
Arrependida por ter optado pelo trabalho,
Tentei, então,
Achar no céu a pipa que Machado avistou.
À toa. Só vi prédios altos.
E, no chão, trânsito de carros.
.
.
Versos rodriguianos
.
Se eu sou a Alaíde
E serei atropelada por um bonde,
Que ele se chame Desejo.
Mas, infelizmente,
Perto do Relógio da Glória já não passam mais bondes.
Apenas em Santa Teresa,
Onde moram, felizes,
Jorge e Carolina,
Carlota e primo de D...
Opto, então, por morrer na boemia,
Beijando o asfalto...
Sempre precisei da ajuda de estranhos...
.
.
Cidade Maravilhosa
.
Av. Presidente Vargas
Sábado é o dia
De andar em zigue-zague
Nas ruas principais.
Porém nas capitais
Todo dia é dia
E o dia todo se anda em zigue-zague.
Na capital de onde vim
Há uma avenida de quatro ruas,
Imagine atravessá-la ao meio-dia...
.
Empurra-empurra
Não sei se é no sul ou só aqui,
Mas na cidade de onde vim
Se há pressa, há empurra-empurra.
Na rua da Alfândega, onde tem o Saara,
É impossível passear vendo as lojas,
A rua é tão estreita quanto a ex-chique Ouvidor.
As ruas de calçada larga
Também são estreitas para os quatro milhões
Residentes na cidade maravilhosa.
E é com uma rua larga
Que eu, teimosa,
Tenho um assunto pendente:
Um dia, ao meio-dia,
Vou atravessar a Pres. Vargas, inteirinha,
E de uma vez só.
menu interativo
poesia
0
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
quarta-feira, 17 de junho de 2009
poesia autobiográfica [4]
.
Auto-análise do dia: eu e o cotidiano
Desilusão
Agora pouco
(Não faz nem 20 minutos)
Uma moça proferiu:
"Santa Ilusão!"
E me quebrou as pernas.
Sempre pensei
(iludida como eu só)
Que conhecesse plenamente
Todas as facetas desse verbete.
Mas nunca pude imaginar
Que a ilusão pudesse ser
Santa.
Sempre a vi conjugada com seu adjetivo
Mais clássico - ou favorito.
Sempre pensei que a ilusão
Fosse apenas doce...
.
Auto-análise do dia: eu e o cotidiano
Meu cotidiano é uma loucura! Vejo coisas bizarras, ouço outras piores... mas vai dizer que você, andando na rua, indo e voltando do trabalho também não ouve e vê? Não me lembro que autor anotava situações que via na rua para transformá-las em literatura. Li sobre isso, gostei da idéia e faço o mesmo. E você não faz idéia do que tenho anotado nos meus caderninhos... Boa degustação :-)
.
clichê
Eu queria ser aquela
metamorfose ambulante...
...mas estou presa eternamente
no paradigma de uma geração
quase interessante.
carioca
coca-cola
chiclete
pipoca e guaraná
RG, CPF, CLT, GLS
cigarro depois do almoço
esquerdismo aguado
internet banda larga
orkut...
faculdade trancada
(por falta de capitalismo suficiente)
comédia romântica norte-americana
...entediante
ainda não entendo filmes
inteligentes...
Me dê alguns anos e me transformo
na borboleta filosófica de Raul,
ou num kafkiano inseto alucinante.
Queria ser aquela metamorfose,
Mas não passo de um mero clichê ambulante...
.
Eu queria ser aquela
metamorfose ambulante...
...mas estou presa eternamente
no paradigma de uma geração
quase interessante.
carioca
coca-cola
chiclete
pipoca e guaraná
RG, CPF, CLT, GLS
cigarro depois do almoço
esquerdismo aguado
internet banda larga
orkut...
faculdade trancada
(por falta de capitalismo suficiente)
comédia romântica norte-americana
...entediante
ainda não entendo filmes
inteligentes...
Me dê alguns anos e me transformo
na borboleta filosófica de Raul,
ou num kafkiano inseto alucinante.
Queria ser aquela metamorfose,
Mas não passo de um mero clichê ambulante...
.
Lilith e a mulher moderna
.
Lilith deveria ser
a musa das feministas atéias;
mas mesmo as feministas atéias,
ainda temem o catolicismo.
Pede-se perdão por pecar
e por não pecar;
teme-se um inferno
que talvez possa não existir.
Não há liberdade na jornada dupla,
como não liberdade na submissão
sem carteira assinada.
Lilith, olhe por nós,
nos dê um bom emprego,
poucos filhos
e um marido que entenda nossa TPM.
a musa das feministas atéias;
mas mesmo as feministas atéias,
ainda temem o catolicismo.
Pede-se perdão por pecar
e por não pecar;
teme-se um inferno
que talvez possa não existir.
Não há liberdade na jornada dupla,
como não liberdade na submissão
sem carteira assinada.
Lilith, olhe por nós,
nos dê um bom emprego,
poucos filhos
e um marido que entenda nossa TPM.
Amém.
.Desilusão
Agora pouco
(Não faz nem 20 minutos)
Uma moça proferiu:
"Santa Ilusão!"
E me quebrou as pernas.
Sempre pensei
(iludida como eu só)
Que conhecesse plenamente
Todas as facetas desse verbete.
Mas nunca pude imaginar
Que a ilusão pudesse ser
Santa.
Sempre a vi conjugada com seu adjetivo
Mais clássico - ou favorito.
Sempre pensei que a ilusão
Fosse apenas doce...
.
menu interativo
poesia
0
fizeram 1 escritora feliz. clique aqui p/comentar
Assinar:
Postagens (Atom)