
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
na crônica, eu acho
Na época que a professora Eliane me corrigia nós não sabíamos que eu ia ser uma escritora (acho que já posso dizer que sou, né?). Sempre me senti bloqueada com isso. A minha crônica tem uma estrutura bem próxima da redação escolar, uma média de 3 a 4 parágrafos. E redação para mim está a um passo da crônica.
Comecei a me expressar literariamente com a poesia. Mas foi na crônica onde eu comecei a me encontrar. Talvez por ser um diálogo do eu com o eu-lírico. Uma linha de raciocínio que se desenvolve no papel e de repente vira crônica. Todo mundo deveria ser cronista. Economizaria uma grana de análise.
Obrigada, professora Eliane, por prezar pelo bom português, ter me apresentado Álvares de Azevedo (olha gente, a culpa é dela, viu!!), João Ubaldo Ribeiro (“A casa dos budas ditosos” como livro extra-classe foi inesquecível!!!) e, conseqüentemente, outros escritores que eu não leria se não fosse essas leituras. Mas uma coisa você tem que dar o braço a torcer: na crônica eu posso “achar”. Na crônica eu acho e me acho... E, ah! Eu continuo escrevendo com letra separada...
sábado, 10 de outubro de 2009
niemeyer
Escuto e danço enquanto
admiro o ritmo desses traços,
que ondulam e contornam nossa
terra natal. Sua obra flamula ao vento,
firme, tremendamente graciosa, im-
ponente. Um lápis em sua mão,
é mais revolucionário que a
revolução russa; mais
modernista que Macuna-
íma, que a poesia de Décio
Pignatari, somada à de Oswald
Andrade. Um lápis em sua mão, é a
profecia de uma ruptura; sua arquitetura
sempre nova tirou o latim de nossas
igrejas, fez tudo lembrar as praias
cariocas, onde quer que sua
arte esteja. Além de
você, só Deus, para es-
crever certo por linhas tortas.
mas não o chamarei de senhor,
pois como seus traços, você é eter-
namente jovem. Sua arte tem sotaque
do Rio de Janeiro! E se, vita brevis,
Sua arquitetura é ars longa
E a mim, só resta dizer:
Niemeyer, como eu,
também é bra-
sileiro!
Deborah O'Lins de Barros
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
minha fantasia sexual é assexuada

Minha fantasia sexual é assexuada
Deborah O’Lins de Barros
Itajaí, 31/08/2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
o orgulho da nação

Dois jovens conversam em um ônibus:
- Cara, ainda bem que me livrei do serviço militar...
- Ah, é!? Que sorte! Como você fez?
- Ah, eu fui lá, fiz tudo certinho e na hora da entrevista, me perguntaram se eu tinha vontade de servir. Daí eu disse que não, claro, ainda mais que sou estudante bolsista... e me liberaram.
- Eu acho um saco isso ser obrigatório. É um ano jogado fora no exército.
- Eu não concordo com obrigatoriedades. E na eleição! Imagine se fosse facultativo?
- Ah, mas daí ninguém ia votar, só os políticos...
- Não... com certeza ia uma galera sim. Nos Estados Unidos não é obrigatório e um monte de gente vota...
- Mas também, eles pedem pelo-amor-de-Deus pro pessoal comparecer...
- É mesmo. Olha, eu acho que tinha que mudar muita coisa no Brasil.
- Por isso que eu digo: o Sul é o meu país!
- Concordo contigo!
Agora imagina, se o sul se separasse, que tipo de “cidadão patriota” teria: um cara que não lutaria por seu país e nem escolheria seus governantes! E eu, como carioca, "caramuru", tenho pena é do Bento Gonçalves, que deve estar se contorcendo na tumba...
Deborah O’Lins de Barros
Itajaí, Santa Catarina
2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
11 de setembro
ninguém notou que havia
algo de podre no reino da mais-valia.
como seria possível?
(pra mim isso tem o dedo da CIA)
mas havia algo de podre
no reino da mais-valia.
ops! ninguém notou... e o avião caiu!
disseram para o presidente branco:
"ca-bum"
burro, ele entendeu:
"cabul"
e assim começou a guerra.
ai, que azia...
.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
receitas apetitosas do jornal Paperback Writer News
Ingredientes
Bisnaga tipo Picasso
Manteiga tipo renascentista
Molho romântico (marca “Morte de Marat”)
Rodelas cubistas
Lascas de impressionismo
Surrealismo a gosto
Modo de montar o sanduíche
Corte no sentido horizontal uma bisnaga tipo Picasso e passe uma leve camada de manteiga renascentista dos dois lados. Corte rodelas cubistas bem finas e espalhe por todo o pão. Em seguida espalhe o molho romântico, deixando uma camada de aproximadamente 0,5cm. Delicadamente, coloque por cima as lascas de impressionismo, de preferência raladas. Para dar um charme, polvilhe um pouco de surrealismo e sirva.
Dica
O sanduíche pode tanto ser fechado e cortado em fatias diagonais quanto ser consumido aberto, cortado como uma pizza à francesa ou um canapé.
Receita cedida por Madame Marie Stampf-Heinderberg da Bélgica, colaboradora do jornal Paperback Writer News.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
repercussões de uma carta
por Fernando José Karl
http://nautikkon.blogspot.com/
Um texto pra Deborah ler
Quantas palavras, quantas nomenclaturas para um mesmo desconcerto: o que um dia vou saber, não sabendo já sabia: as rachaduras da parede emergem do escuro, enquanto escuto os estremeços das canoas naufragadas: aqui e ali, a única verdade é a dúvida: na casa de minha vó Ana aparecem trepadeiras florescidas, cactos, bambus: lá uma palmeira brota de um pátio, abrindo-se sobre o telhado: e agora, eu, Fernando, num relance insólito, sou esta pura cinza que tenta, ainda, ver o sujo mar: ignoro se a música sabe desesperar da música: se souber, pode que a cinza desespere da cinza e eu possa acordar de novo nessa praia Brava: tomo consciência da manhã no primeiro âmbar dos espelhos vazios, lavrados pelas lágrimas da noite.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
carta aberta ao meu pai
Às vezes nos vemos diante de situações humilhantes, mas quando estamos com a consciência tranqüila, passar por elas torna-se mais fácil, acaba sendo apenas mais um desafio em nossa jornada. Minha jornada está cada vez mais cheia de empecilhos, mas sei que são exatamente eles, ou melhor, como irei lidar com eles, o que me fará crescer.
Hoje é aniversário de meu pai. Sim, eu tenho um pai. Mas alguma força estranha nos desune a cada vez que tento entrar em contato. Isso desanima. Talvez eu nunca saiba se alguém apaga os emails e mensagens antes de ele ler, ou se ele mesmo o faz. Mas tudo bem, postando essa carta no meu blog ela estará aberta a todos, como o testemunho de um descaso. E também um alerta aos pais (e mães) que não se preocupam em manter contato com seus filhos.
A meu pai,
Lembra pai, quando eu tinha uns 8 anos e te disse que ia casar com o Michael Jackson? Estávamos na sala do terceiro andar, perto da janela. Você me disse que quando a filha casa seus pais ganhavam um filho, mas naquele caso, iriam perder uma filha. Pois é. Eu não casei com o rei do pop e ainda por cima perdi um pai, que azar o meu. Mas duvido que você lembre disso.
Lembra pai, quando você fez uma cirurgia na coluna? Fiquei muito preocupada enquanto você estava internado. Fiquei feliz quando você voltou para casa. E ficava muito triste toda vez que você, negando o nosso pedido de nos carregar na “carcunda”, lembrava sempre que levava nossa prima nas costas. Sim, a mesma prima que você sempre dizia que “nunca teve cáries”.
Lembro de quando você se separou da mamãe. Na época eu não entendia nada sobre casamento, responsabilidade e etc., e você resumiu para mim dessa forma, exatamente: “quando você tiver um namorado vai entender”. Lembra disso? Com certeza não, né? Eu já tive namorado, hoje tenho marido e ainda não entendi o que você disse para mim aquele dia.
Mas porque rememorar um passado tão chato, se temos tantas coisas legai para lembrar? Devo a você o meu amor por música, pela boa música. Aprendi a tocar violão com o instrumento quer você me deu. Amo as bandas, compositores e cantores que você me apresentou. Volta e meia lembro de trechos das ótimas músicas que você compôs. A que mais gosto é a do Texas Bill.
Hoje é seu aniversário. Sim, eu lembro disso. Espero que tenha um dia feliz. Do fundo do meu coração, eu realmente gostaria muito de te dar um abraço. Você já assistiu a filmes como “A Vida é Bela”, “O Paizão”, “Feita por encomenda”? Imagino que sim. São filmes que me fazem sonhar que você fosse um pai assim. Mas não é. Então vamos nos dar uma chance, enquanto há tempo?
Saiba que sempre terei uma pontinha de esperança em sentar numa mesa de bar, tomar uma caipirinha e conversar por horas e horas com você.
Sua filha,
Deborah Oliveira Lins de Barros
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
20 anos sem Raulzito
por quem os sinos dobram
Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada
.
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado, é...
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
.
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais
.
cowboy fora a lei
Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar
.
Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz
Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz
.
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra historia é com vocês!
.
o conto do sábio chinês
Era uma vez
Um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta
Voando nos campos
Pousando nas flores
Vivendo assim
Um lindo sonho...
Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida lhe acompanhou...
.
Se ele era um sábio chinês
Que sonhou que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era um sábio chinês...
