sexta-feira, 4 de junho de 2010

sobre a modernidade [1]

a modernidade e a palavra

Já foi o tempo dos trocadilhos de Oswald de Andrade e das palavras desmembradas de Décio Pignatari. Mas não foi inventado nada mais novo que isso; o que faço e o que fazem são variações, da mesma forma que recriam há séculos o mito do amor impossível de Tristão e Isolda. Também faz tempo que circula por aí a novilíngua duplipensada, de George Orwell*¹. Um exemplo? Irado: 1. quem tem raiva, ira; 2. algo muuito legal. Então o que há de novo na palavra?

Já que todos os temas já foram expostos e desenvolvidos à exaustão, se já sabemos como a história vai terminar, o que interessa não é mais o que contamos, mas como contamos. Na internet temos uma infinitade de formas que podemos utilizar para expressar como nos sentimos. E o mais interessante é que elas são em "cyber-esperanto". Estou feliz vira :-) estou muito feliz vira :-D e assim vai. Acho que o que a modernidade fez com a palavra foi transportá-la a um nível de não-palavra, se é que me entendem. Quer dizer, posso usar três sinais de pontuação e qualquer pessoa pode "ler" como estou. Esse é o como. A palavra está muito mais livre, mas cabe a nós saber como direcioná-la e extrair o melhor desse recurso.

Falando nisso o próximo tema será esse: a modernidade na literatura.

*¹ no livro "1984"

Deborah O'Lins de Barros
04/06/2010

2 comentários:

alejandro disse...

oi agora sim ,consegui deixar um comentario ,rs .. que palavra estranha = duplipesar ..

Deborah O'Lins de Barros disse...

pois é, duplipensar é conseguir assimilar em uma mesma palavra duas idéias completamente diferentes, segundo o dicionário da novilíngua do livro 1984. é um livro muito importante, de onde vem o Big Brother, que a Globo deturpou na cara dura. ler 1984 e asistir ao BBB é o cúmulo do duplipensar...

abraço